Legal começar aqui falando de um lugar interessante: Ciudad Del Este, centro muambístico na fronteira do Paraguai com o Brasil. Isso porque hoje, depois de uns 6 meses, estivemos de volta ao Paraguai. Na ida, no ônibus paraguaio que atravessa a ponte, o motorista, sozinho, fazia o troco. Tinha que cobrar R$5,50, mas dava este valor de troco. Um bando de gente entrando ao mesmo tempo, pagando em real, guarani e dólar, o cara dirigindo enquanto calcula e separa o troco, cê queria o quê?
Antes de passar a ponte, crianças – pareciam paraguaias – trabalhavam com coletes com o símbolo E – de estacionamento – no peito, indicando seus empregadores para os motoristas. Ao lado, uns 6 policiais rodoviários federais não davam bola. Alguns conversavam encostados na viatura, um arranjava jeito de multar um mototaxista, outros dois conversavam e um último falava com um cara com colete da receita federal.
Hoje também deu pra ver uma novidade na prestação de serviços “da ponte”, pelo menos pra mim: os caras que indicam estacionamento agora andam em bikes e acompanham os carros até o destino. Quer dizer, não adianta dizer que vai sim e depois arranjar outro estacionamento. Disse que vai, agora tem que ir. E o medo dos amigos dele estarem por aí em algum lugar?
O movimento por lá parece ter baixado um tanto mesmo, mas os “atacadistas” continuam tranquilamente empilhando notebooks e DVD players de U$28 no Lai Lai. Os arregadores de muamba barata também ainda estão no trampo. Diminuiu, ao que parece o muambeiro que fazia uns trocos a mais por fora, de vez em quando.
Outra novidade, agora é fácil encontrar jaquetas de couro no Py. não me lembro de ter visto muito isso antes. o negócio era todo na Argentina. Olhando mais de perto descobre-se que além do couro de búfalo, alguns lojistas estão vendendo mercadoria produzida no Brasil. Pelo que se pôde ver em umas peças, escolheram comercializar aquelas “com pequenos defeitos” liquidadas pelos fabricantes em saldões atacadistas. Tá barato.
Na volta, ainda cedo, antes das 10h, nenhum vendedor de água-cóca-água-skol-cóca-água na área. Cadê eles? Esperando o sol esquentar? Só vimos um “comerciante” de torrone. Devia ter uns 8 anos, no máximo.
Um dos poucos sacoleiros que voltavam àquela hora comentavam sobre a nova aduana brasileira, com custo total estimado em R$9 milhões, programada pra começar a operar com fiscalização total a partir de setembro. Diziam ser um escândalo o governo investir tanto ali, nada em desenvolvimento de soluções para empregar o povão, e, claro, ainda serem obrigados a ver a roubalheira em tudo quanto é canto da política nacional.